CÂNONES DA COMUNHÃO DAS IGREJAS EPISCOPAIS EVANGÉLICAS - CIEE

PREÂMBULO


I. SOMOS UMA COMUNHÃO, NÃO UMA DENOMINAÇÃO


Uma comunhão reflete a unanimidade e a singularidade da Igreja apostólica e patrística, ao abranger as tradições protestantes e católicas, assim como também aceitar uma diversidade de expressões de culto, ordem e prática. Em contraste com uma denominação, uma comunhão expressa a unidade estabelecida por Jesus Cristo originalmente em seu Corpo, a Igreja. Uma comunhão não nasce de divisões criadas por diferenças históricas sobre a doutrina e a prática; antes, representa o regresso à unidade, a recuperação da unidade essencial da igreja antiga, medieval e contemporânea.

A Comunhão das Igrejas Episcopais Evangélicas - CIEE se insere na tradição espiritual anglicana e celta. A CIEE foi criada pela convergência das grandes expressões históricas de fé, ordem e prática: as tradições evangélicas, carismáticas, litúrgicas e sacramentais. Seus princípios fundamentais são os definidos no Quadrilátero de Chicago-Lambeth, de 1886.

Os quatro pontos básicos do Quadrilátero são:

  1. As Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, que "contêm todas as coisas necessárias para a salvação" como regra e última norma de fé.
  2. O Credo Apostólico como símbolo batismal e o Credo Niceno como declaração suficiente da fé.
  3. Os dois sacramentos instituídos pelo próprio Cristo - o Batismo e a Ceia do Senhor - administrados com o uso exato das palavras da instituição de Cristo e com os mesmos elementos ordenados por ele.
  4. O episcopado histórico, adaptado localmente, nos métodos de sua administração, às diversas necessidades das nações e povos chamados por Deus à unidade de sua Igreja.

Estas definições estabelecem as diretrizes para a CIEE, sendo compreendidas como a essência da tradição apostólica e devem ser normativas para a nossa visão do movimento de convergência.


II. CIEE - DECLARAÇÃO DE IDENTIDADE

1. A CIEE define o anglicanismo como a ortodoxia inglesa, desenvolvida desde o princípio da presença da fé cristã nas Ilhas Britânicas até agora. Então, em nosso uso, o anglicanismo inclui suas origens celtas, suas raízes patrísticas, a igreja medieval, a reforma protestante, o avivamento evangélico de Wesley, o movimento de Oxford e a renovação carismática moderna.


Não consideramos a história do anglicanismo apenas a partir de Thomas Cranmer, mas incluímos também o tempo anterior à reforma inglesa. O anglicanismo na CIEE não é identificado por sua vinculação à sede episcopal de Cantuária, na Inglaterra, mas por sua relação com o anglicanismo histórico.

2. Os elementos do anglicanismo são:


A) A prioridade e a autoridade das Sagradas Escrituras como a fonte do nosso conhecimento de Deus.

B) A direção doutrinal dos credos católicos: o Apostólico, o Niceno e o de Atanásio.

C) A simples verdade de que a salvação é, em última instância, um dom de Deus e é obtida pela graça somente.

D) O uso de uma liturgia fiel à Escritura, encarnando a experiência da igreja em adoração através dos séculos.

E) O episcopado histórico como sinal da unidade da Igreja de Deus. Os reformadores ingleses (anglicanos) insistiram na retenção da ordem histórica dos bispos.

F) O tríplice ministério de bispos, presbíteros (sacerdotes) e diáconos, como o ministério que a Igreja tem adotado desde o princípio seguindo a direção de Deus.

G) Os dois sacramentos do evangelho: o Batismo e a Santa Comunhão, os quais foram ordenados pelo próprio Cristo para o uso regular na Igreja.

H) A unidade do ministério da Palavra e do Sacramento na celebração da Santa Comunhão.

I) A necessidade da pregação e do ensino regular das Santas Escrituras.

J) O reconhecimento de que o desejo de Deus é a unidade visível da Igreja na terra.

K) A necessidade de revisar regularmente os Cânones, para responder às necessidades das diferentes nações e igrejas.

L) O sacerdócio de toda a igreja como uma comunidade que louva e ora.

M) O reconhecimento da ação contínua do Espírito Santo e da contemporaneidade de seus dons e ministérios.

N) Um claro compromisso de cumprir a Grande Comissão de alcançar o mundo para Jesus Cristo no terceiro milênio.


3. O enfoque da Comunhão, na liturgia e na adoração, não está baseado na prática legislativa mas sim normativa, como definido pelas Escrituras, pelo Livro de Oração Comum (em suas diferentes versões) e pela prática histórica da Igreja.


4. A prática litúrgica poderá expressar-se através de uma ampla variedade, de evangélica a anglo-católica. A prática de cada congregação local será determinada e reconhecida pelo relacionamento com seu bispo.

Paradigmas de Ministério

Litúrgico / Sacramental

Evangélico

Carismático

A teologia

A base bíblica

O ministério quíntuplo e o governo

A ortodoxia

A conversão pessoal

O poder do Espírito

A universalidade

O evangelismo e a missão

Os dons espirituais

O culto litúrgico

O culto centrado no púlpito

A adoração carismática

A ação social

A santidade pessoal

O reino

A compreensão da encarnação da Igreja (baseada na teologia, na história e nos elementos sacramentais do pensamento)

A compreensão bíblica e reformada da Igreja (pragmática e racional)

A compreensão da Igreja como espiritual, orgânica e
funcional (dinâmica e
informal)

 

5. Declaração de Princípios

i) Esta Comunhão reconhece e adere ao episcopado histórico, adotado pela Igreja desde os primeiros séculos, sob a direção de Deus.

 ii) A CIEE mantém "a fé de uma vez por todas confiada aos santos" (Judas 3 NVI), declara sua crença nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos como a Palavra de Deus e única regra de fé e prática, de acordo com as interpretações da tradição, da razão, da experiência e dos Credos comumente chamados de Credo Apostólico, Credo Niceno-Constantinopolitano e Credo de Atanásio; e afirmamos a relevância histórica das doutrinas expostas nos Trinta e Nove Artigos de Religião, no Quadrilátero de Chicago-Lambeth, na Declaração de Baltimore, e na Conclamação de Chicago: um apelo aos Evangélicos.

iii) É pela graça por meio da criação de Deus, o Pai, pela fé em Cristo Jesus e pelo testemunho do Espírito Santo, confiando na inspiração e na supremacia das Sagradas Escrituras, e com a confirmação em nossos corações e mentes, que afirmamos as doutrinas essenciais da Comunhão das Igrejas Episcopais Evangélicas. O papel principal da Igreja é a expansão do reino de Deus. O povo, o clero e os bispos da CIEE estendem amplamente a membresia e a comunhão a denominações, igrejas, sínodos, clero e indivíduos que aceitem livre e espontaneamente esses princípios essenciais da doutrina da Comunhão das Igrejas Episcopais Evangélicas.

Celebramos e afirmamos o ministério bíblico e ungido espiritualmente para todos e por todo o mundo. "Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos" (Ef 4.4-6 NVI). Portanto, uma cabeça, Jesus Cristo, e um corpo imaculado de Cristo, a Igreja. Compartilhamos um ministério de fé, unidade e reconciliação em uma igreja que reconhece a sucessão apostólica, a autoridade e a participação em um ministério vigilante de igrejas locais e clero independentes, em plenitude de adoração e espiritualidade na convergência de correntes no corpo de Cristo: evangélicos, cheios do Espírito, litúrgicos e sacramentais.

III. A VISÃO DA CIEE

A. A Comunhão das Igrejas Episcopais Evangélicas - CIEE é composta de igrejas cuja identidade e autocompreensão estão fundamentadas na tradição espiritual anglicana de ser católica, evangélica, protestante e reformada. Esforçamo-nos para praticar e preservar a fé que nos foi dada pelos apóstolos através da igreja-mãe da família anglicana mundial, a Igreja da Inglaterra.

B. A CIEE se considera uma Comunhão cujas paróquias são totalmente evangélicas, totalmente carismáticas, totalmente litúrgicas e totalmente sacramentais.

C. Cremos, como evangélicos, que as Sagradas Escrituras são a inspirada Palavra de Deus e contêm todas as coisas necessárias para a salvação e para uma vida agradável a Deus. Nós nos aplicamos fielmente à leitura, ao estudo, ao ensino e à pregação das Escrituras; e acreditamos que as Escrituras são a fonte para nossa maturidade espiritual. Também aceitamos a distinção evangélica que enfatiza o valor do relacionamento pessoal com Jesus Cristo, de uma vida consagrada a ele e de um compromisso com evangelismo e missões.

D. Como carismáticos, cremos que devemos estar abertos à atuação do Espírito Santo em nós. O povo de Deus sempre foi um povo dotado com dons espirituais. Desde os apóstolos até a igreja moderna, os cristãos têm recebido um poder superior a si mesmos, um poder que provém do Espírito Santo. Isto nos leva a incentivar nossas paróquias a permitir e esperar sua presença e sua obra através dos dons espirituais, tanto na adoração particular como nos cultos públicos, em nossa relação pessoal com Cristo.

E. A CIEE está unida com a santa igreja católica e apostólica. Isto significa que na essência do nosso modo de adorar a Deus, somos historicamente litúrgicos e sacramentais. Também conservamos os credos históricos, o episcopado e o tríplice ministério ordenado (bispos, presbíteros e diáconos). Cremos, como integrantes da tradição espiritual anglicana, que nossa adoração deve ser litúrgica e para nós a melhor expressão disso é usar o Livro de Oração Comum (LOC). O LOC extrai sua prática e sua liturgia de diferentes pontos do tempo - desde a evolução contínua, rica e inclusiva da prática e da fé católicas até as influências da Reforma Protestante.

F. A CIEE é protestante e reformada - em seu uso da Bíblia Sagrada como seu guia e najustificação pela fé, conforme a Palavra e a Obra de Cristo e do Espírito Santo.

G. A visão da CIEE é ser uma igreja contemporânea na qual haja a convergência de ministérios alicerçados nas verdades históricas da antiga igreja universal, com cultos atualizados, buscando alcançar o futuro por caminhos relevantes, indo ao encontro das necessidades de pessoas crentes e não crentes. Esta é a via média, aceitando ambos, católicos e protestantes, como "um em Cristo". 

IV. DEFINIÇÃO DAS BASES PARA AS RELAÇÕES OFICIAIS COM A CIEE

As descrições seguintes definem os vários níveis de relação e participação no ministério com a CIEE (O contexto para toda a relação é a catolicidade):

A) Comunhão plena

Inclui a reciprocidade do ministério e a participação plena em todos os níveis de culto, missão e prática, esperando-se a seguinte postura:

1.      Ortodoxia, como definida na afirmação quíntupla: uma Bíblia, dois Testamentos, três credos (Apostólico, Niceno, Atanasiano), quatro concílios, cinco séculos;

2.      Catolicidade proveniente das eras apostólica e patrística, definida por aquela fé "crida em todas as partes, sempre e por todos";

3.      A afirmação do Quadrilátero de Chicago-Lambeth, que reconhece a autoridade da Escritura;

4.      Aceitar o significado e a participação na sucessão apostólica;

5.      Busca de prática e ministério de convergência.

Definição de convergência em termos de prática

1. A corrente evangélica inclui: ter as Santas Escrituras em alta conta, o compromisso com a obra evangelística, a necessidade de uma relação pessoal com Jesus Cristo e a prática do discipulado.

2. A corrente carismática afirma os dons e ministérios do Espírito Santo, incluindo o ministério quíntuplo do Espírito; além disso, o trabalho da Pessoa do Espírito Santo é aceito e desenvolvido, a plenitude do Espírito é buscada, porque a ação do Espírito Santo é esperada e praticada totalmente.

3. A corrente sacramental/litúrgica estabelece a prática dos dois sacramentos e a celebração semanal da Santa Comunhão (a prática histórica geralmente admite como norma sacramental o Cálice comum e o uso de vinho, embora certas particularidades culturais possam requerer alguma adaptação dessas práticas); utiliza o Livro de Oração Comum, nas traduções das várias nações; observa o ano litúrgico e os quatro grandes dias santos (Natal, Páscoa, Ascensão e Pentecostes); e determina o uso de paramentos sacerdotais.

4. Identidade e auto-compreensão definidas pelo contexto anglicano;

5. A participação no princípio sacramental implica na observância semanal da Santa Comunhão através da consagração das oblações, admitindo a presença real de Cristo nos elementos. Iniciação na Igreja através do batismo;

 

6. Submissão à Autoridade Episcopal;

 

7. Aceitação das práticas católicas, a saber:

     a) formas litúrgicas de louvor e culto;

     b) aderência aos credos Apostólico e Niceno;

     c) a centralidade e a autoridade das Sagradas Escrituras;

     d) o tríplice ministério de bispos, presbíteros e diáconos, e os sacramentos.

8. Cumprimento das normas canônicas.

9. Aceitação dos princípios bíblicos básicos relativos à ação social e ao testemunho, especialmente em aspectos como o firme posicionamento em favor da vida, a oposição ao racismo e à pretensa superioridade baseada no gênero sexual, e a oposição à ordenação ministerial de homossexuais praticantes e heterossexuais que mantenham relações sexuais fora do casamento.

B) Intercomunhão

Implica na aceitação plena das ordens do ministério de cada Comunhão e jurisdição e a participação completa em celebrações e outros eventos, com outros elementos definidos por  acordo:

1.      Aceitação da catolicidade, como declarado no item anterior (subitens 1 e 2);

2.      Aceitação do Quadrilátero de Chicago-Lambeth;

3.      Aceitação comum da Convergência e suas práticas.

C) Cooperação

Não implica na reciprocidade de ministérios e ordens sagradas, mas sugere uma compatibilidade da causa comum e da missão, freqüentemente levando a um esforço conjunto e unificado:

1.      Fé cristã histórica;

2.      Visão comum.

V. DOUTRINAS ESSENCIAIS DA CIEE

A) Afirmamos um posicionamento baseado nas Escrituras, na tradição e na sabedoria divina. As Escrituras Sagradas se comprovam por si mesmas, são a essência da Verdade e requerem nossa submissão sem reservas em todas as áreas de nossas vidas. A Palavra de Deus escrita, infalível e digna de confiança, é uma completa e unificada testemunha dos atos redentores de Deus, os quais culminaram na encarnação da Palavra Viva, o Senhor Jesus Cristo. A Bíblia Sagrada, inspirada unicamente pelo Espírito Santo, é a suprema e final autoridade em matéria de fé e prática.

B) A Palavra de Deus, encarnada e escrita, provê a base para as seguintes doutrinas que afirmamos juntamente com os credos Apostólico e Niceno:

1) Cremos em um único Deus, soberano Criador e Sustentador de todas as coisas, infinitamente perfeito e eternamente existente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. A ele seja a honra, a glória e a adoração para sempre!

2) Jesus Cristo, o Messias, é a Palavra Viva que se tornou carne por meio de sua miraculosa concepção pelo Espírito Santo e de seu nascimento da virgem Maria. Ele, que é Deus Verdadeiro, tornou-se Verdadeiro Homem. Suas duas naturezas estão unidas em uma Pessoa para sempre. Ele viveu uma vida sem pecado e morreu em uma cruz, oferecendo um perfeito sacrifício pelos nossos pecados, de acordo com as Escrituras. No terceiro dia, ressuscitou fisicamente dos mortos, subiu ao céu e está sentado à direita da Todo-poderosa Majestade nas alturas. Ele intercede por nós como nosso Sumo-sacerdote e Cabeça da Igreja. Jesus Cristo é o único Messias, o único caminho para a salvação, a única verdade e a única vida na qual as pessoas podem depositar sua confiança e obter a vida eterna.

3) O Espírito Santo veio para glorificar a Cristo e realizar a obra de salvação de Cristo nos corações dos pecadores arrependidos. Ele nos convence de pecado e nos atrai para o Salvador Jesus, o qual batiza seus discípulos no poder do Espírito Santo e os capacita com plenitude espiritual para fazer o trabalho sobrenatural do ministério em seu Nome. O Espírito Santo ilumina as Escrituras Sagradas, instrui os corações dos crentes e, corporativa e consensualmente, nos guia a toda verdade.

4) Estando distanciados de Deus e condenados por nossos pecados, nossa salvação depende totalmente do favor e da graça imerecida de Deus. Deus credita sua justiça em favor daqueles que põem a fé somente em Cristo para sua salvação, justificando-os desse modo em sua santa presença. Somente aqueles que nascem do Espírito Santo e recebem Jesus Cristo, com palavras e atos de obediência, como Salvador e Senhor, tornam-se filhos de Deus, membros do corpo de Cristo e herdeiros da vida eterna.

5) A Igreja una, santa, católica e apostólica, a verdadeira Igreja, é composta de todas as pessoas que, salvas pela fé em Jesus Cristo e pela ação santificadora do Espírito Santo, são unidas no Corpo de Cristo. A Igreja encontra sua expressão visível, ainda que imperfeita, nas congregações locais, nas quais a Palavra de Deus é pregada em sua pureza e os sacramentos são administrados em sua integridade, a disciplina das Escrituras é praticada e um relacionamento de amor é mantido para alimentar os crentes na vida de Cristo. Para a sua plena perfeição, a Igreja espera a volta do Senhor Jesus.

6) Jesus Cristo voltará à terra - repentina, pessoal, visível e corporalmente - para julgar os vivos e os mortos e consumar a história e o eterno plano de Deus. Nós procuramos servir a Cristo fielmente no mundo cheios de fé como seus embaixadores, antecipando jubilosamente a sua manifestação.

7) A missão dos cristãos é seguir o primeiro e principal mandamento do Messias, o grande mandamento: "Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor". Nós, individual e coletivamente, somos convocados e então escolhemos fazer a sua vontade: amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda nossa alma, com toda nossa mente e com toda nossa força. Nossa missão é demonstrar que somos cristãos, certificando nossa natureza inspirada e capacitada pelo Espírito Santo, demonstrando o gracioso amor de Deus Todo-poderoso por nós, individual e coletivamente, em palavras e atos, buscando os maiores e melhores interesses de nossos vizinhos, mostrando por eles a mesma preocupação que temos pelos nossos próprios interesses.

8) Assim como nos empenhamos para atingir o exemplo do amor de Deus, também queremos cumprir a grande comissão de Jesus de Nazaré ressurreto: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos" (Mateus 28.19-20).

9) Os seres humanos não são Deus, mas foram criados à sua imagem e semelhança. A criação serve e é sustentada pelo Criador. Fomos criados para a comunhão com Deus em pureza e de acordo com as Sagradas Escrituras. A comunhão entre Deus e os crentes é marcada por amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. O domínio próprio inclui fidelidade no casamento heterossexual, abstinência de qualquer contato homossexual e abstinência sexual fora do compromisso conjugal. O domínio próprio inclui moderação em todas as áreas que possam pôr em risco a saúde, a segurança e a reputação dos indivíduos criados à imagem de Deus. Nos assuntos em que as leis humanas e as tradições parecem estar em conflito com os mandamentos de Deus, como revelados nas Escrituras, tem primazia a lealdade dos discípulos às Escrituras.

10) Declaramos que o Autor da Vida é o administrador da criação; posicionamo-nos pela preservação ambiental e pela proteção e validação da irrevogável e inerente santidade e dignidade de todas as formas da vida humana, da concepção ao túmulo. Advogamos uma firme resolução pacífica para a solução de conflitos entre pessoas, grupos e nações, onde e quando isto seja possível.

11) Esta Comunhão reconhece a instituição divina dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor, administrados com as mesmas palavras usadas por Cristo e com os elementos determinados por ele.

 

Cânones da CIEE

Estabelecidos em 16 de setembro de 2000

 

TÍTULO I: ESTRUTURA DA CIEE

CÂNON 1. DAS CONGREGAÇÕES

A estrutura da igreja local é baseada nas tradições e necessidades da congregação, mas o seguinte deveria ser seguido, na ausência de práticas previamente estabelecidas na congregação local. Cada congregação membro da CIEE, independentemente de seu tamanho, será independente e autônoma. O clero e a comunidade procurarão encontrar o bispo que melhor lhes satisfaça para supervisionar seu ministério. Nossos bispos servem em dioceses tanto geográficas como não geográficas, permitindo assim às paróquias escolher o bispo com quem tenham maior afinidade.

A)    Unidade básica

A congregação local é a unidade básica da igreja e todos os níveis de organização existem para apoiar e facilitar o trabalho da congregação. Aí é o lugar onde as pessoas vivem e onde ocorrem os batismos e as confirmações. O clero da CIEE reconhece que as estruturas diocesanas das igrejas nacionais e internacionais foram desenvolvidas para apoiar a paróquia local. A congregação é o centro operacional do ministério da diocese.

 

B)    Sem fronteiras geográficas

As fronteiras de uma paróquia nesta Igreja não são geográficas. Uma paróquia consiste de todas as pessoas inscritas como comungantes e todas as outras pessoas participantes dos cultos e outras atividades. Apenas os comungantes com a idade legal para votar, e que tenham sido membros durante os seis meses anteriores à assembléia da congregação terão direito a voto.

 

C) Comungantes

Um membro comungante desta Igreja é uma pessoa que tenha sido confirmada por um bispo da CIEE ou tenha sido recebido com base em evidência satisfatória de anterior confirmação e que tenha o objetivo definido de servir ao Senhor; sob a condição de que participe regularmente da Santa Comunhão.

 

D)    Nenhum consentimento de paróquia vizinha é requerido

O consentimento de um ministro ou do conselho paroquial de uma congregação desta Igreja não é um requisito prévio para a formação de outra paróquia desta Igreja na mesma localidade.

 

E)     Prévio consentimento episcopal

As pessoas que pertencem a esta Igreja podem organizar-se como paróquia (aceitando os presentes cânones, a doutrina, a disciplina e a forma de culto da CIEE), se tiverem obtido o consentimento de um bispo diocesano da CIEE; caso contrário, não. Ao organizar-se, cada paróquia comunicará este fato, através de seus líderes, ao bispo diocesano. Será responsabilidade do bispo diocesano admitir e receber a paróquia na Comunhão.

 

F)  Recepção na CIEE

Qualquer congregação de outra Igreja que deseje ser recebida em união com esta Igreja apresentará uma declaração de intenção através de suas autoridades legitimamente constituídas. Juntamente com a declaração de intenção, redigirá uma declaração de concordância com a doutrina e com a forma de culto desta Igreja, as quais serão submetidas ao bispo diocesano da CIEE a quem tenha solicitado a recepção. Se o bispo considerar o pedido satisfatório, a congregação será recebida e passará fazer parte da CIEE.

 

G)  Uma nova paróquia

       Na organização de uma nova paróquia, o seguinte documento de associação e

       compromisso será firmado por seus clérigos e seu conselho governante:

Nós, abaixo assinados, pela presente nos associamos com o objetivo de manter a adoração a Deus e a pregação do Evangelho segundo a doutrina, a disciplina e a forma de culto da CIEE, sob o nome de _________, da cidade (ou: na cidade) de ______, no estado de ________. E fielmente nos comprometemos a cumprir os Cânones da CIEE.

Pela presente, autorizamos o presidente e o secretário desta assembléia a comunicar, por escrito, nossa decisão ao bispo presidente da Comunhão das Igrejas Episcopais Evangélicas, ou algum outro bispo autorizado a receber este documento.

(Local, data e assinaturas)

H) Estatutos da paróquia

     Cada paróquia será governada por Estatutos próprios, os quais serão arquivados na secretaria da Igreja. Uma cópia de tais Estatutos estará disponível em cada paróquia paraaveriguação por parte de seus membros.

 

I)       Eleição

Em cada paróquia, a cada ano, durante a semana da Páscoa, ou em algum outro tempo designado pela assembléia da paróquia, serão eleitos os secretários, o conselho paroquial e os delegados e seus suplentes para a Convocação Anual. Os secretários, os delegados e os suplentes, serão escolhidos entre os membros comungantes e, sempre que possível, o conselho paroquial também; mas, se for necessário, uma minoria do conselho paroquial pode ser escolhida entre os não-comungantes, com a condição de que sejam pessoas de caráter e moral inatacáveis. O reitor presidirá a Assembléia Geral, ou em seu lugar, um dos secretários. Em uma Igreja sem reitor, a assembléia será presidida pelo bispo diocesano ou algum outro presbítero da CIEE designado pelo bispo.

 

 

J)      Recepção de paróquia em comunhão plena

Qualquer nova Igreja que tenha participado de uma diocese da CIEE durante pelo menos seis meses, e tendo um mínimo de doze membros comungantes, além de ter enviado o dízimo mensalmente à CIEE, será recebida como uma paróquia em comunhão plena na Comunhão e poderá enviar delegados para representá-la em todas as convocações. A recepção da paróquia em comunhão plena será atestada por um bispo da CIEE para a confirmação e a recepção dos comungantes.

 

K)    Assembléias Gerais Extraordinárias

As assembléias especiais de qualquer paróquia podem ocorrer quando forem necessárias, sendo que o assunto declarado na convocação é o que deve ser tratado na assembléia, e  nenhum outro. Cada Assembléia Geral, Ordinária ou Extraordinária, será anunciada durante os cultos dos dois domingos anteriores à sua realização.

 

L)     Relatórios de registro financeiro

Deverão ser mantidos por cada paróquia registros financeiros e livros de contabilidade apropriados. Qualquer congregação que tenha uma entrada superior a vinte e cinco mil dólares (US$ 25,000.00), em qualquer ano, preparará um relatório financeiro e o submeterá à apreciação do bispo diocesano em 1 de maio do ano seguinte. Se o bispo diocesano for o pastor de uma paróquia, submeterá o relatório de sua paróquia à apreciação do Conselho Provincial de Bispos. Uma auditoria independente será feita a cada três anos, caso a paróquia tenha ultrapassado os US$ 25,000.00 em todos os três anos. Essa auditoria será submetida à apreciação do Conselho Provincial de Bispos.

 

M)  Dízimo

Cada congregação deverá enviar o dízimo(*) mensalmente à Diocese da CIEE à qual estiver filiada.

(*) Nota: a definição bíblica de "dízimo" é a décima parte de toda a entrada regular da paróquia e o seu envio à diocese é tido como uma prática normativa.

 

CÂNON 2. DO GOVERNO DA PARÓQUIA

Cada paróquia terá uma estrutura de governo. Esse governo será constituído dos seguintes três componentes:

A)    Paróquias estabelecidas

Nos casos em que haja uma estrutura de governo pré-estabelecida numa paróquia, a mesma será examinada pelo bispo diocesano e se não for considerada contrária aos Cânones da Comunhão, então essa estrutura poderá ser mantida, embora, se for conveniente, possa ser modificada, mediante acordo entre a paróquia e seu bispo. Caso tal estrutura esteja em conflito com os Cânones da CIEE, então serão feitas as devidas correções, mediante consulta e acordo entre a paróquia e o bispo.


B) Uma nova paróquia

1)      O Conselho do Reitor

O Conselho do Reitor é nomeado pelo reitor e pode incluir leigos e clérigos. Atua como um conselho consultivo para o reitor. Suas principais responsabilidades são supervisionar e definir a direção espiritual, a visão e a missão da paróquia.

 

2)      O Conselho Paroquial

Será estabelecido para coordenar e executar as diferentes áreas de ministério e serviço na Igreja (por exemplo, louvor, liturgia, evangelismo, educação, ação social, etc.). O Conselho Paroquial deve ser formado por todos os clérigos e líderes leigos que coordenam ou supervisionam áreas específicas do ministério na paróquia. As responsabilidades específicas do Conselho Paroquial se concentrarão na execução do ministério na paróquia e no mundo. As nomeações dos membros do Conselho Paroquial deverão ser aprovadas pelo Conselho do Reitor.

 

3)      A Junta Paroquial

As obrigações e responsabilidades da Junta Paroquial são supervisionar os negócios financeiros e cuidar das propriedades da paróquia.

i. Membros da Junta Paroquial

A Junta Paroquial terá um secretário e um tesoureiro e será formada por um número determinado de membros: um mínimo de três pessoas e um máximo de nove, conforme o número de membros da paróquia. Os membros da Junta Paroquial têm direito a um voto cada e elegerão seu próprio tesoureiro, cada um exercendo o mandato pelo período de um ano. O presbítero ou reitor será membro ex officio da Junta Paroquial.

 

ii. Eleição da Junta Paroquial

Os componentes da Junta Paroquial serão eleitos dentre os membros da paróquia, por meio de votação. Anualmente, haverá eleição na paróquia. O mandato de cada membro da Junta Paroquial será de três anos, sendo que anualmente um terço dos membros será renovado. O secretário, o tesoureiro e os membros da Junta Paroquial exercerão seus cargos até que seus sucessores tenham sido eleitos.

 

iii. Responsabilidades da Junta Paroquial

A responsabilidade da Junta Paroquial será o cuidado de todas as propriedades e a direção das finanças da paróquia. A Junta Paroquial decidirá que outras reuniões ocorrerão  dentro de qualquer edifício sob seu cuidado, além do culto dominical. Caso não haja nenhum outro regulamento previsto pelos Estatutos da Paróquia ou decidido pela assembléia paroquial, a Junta Paroquial juntamente com o Conselho do Reitor e o Conselho Paroquial tomarão a iniciativa e a decisão final de convidar um novo Reitor ou um ministro encarregado (diácono), sujeito ao conselho do bispo em sua jurisdição. A Junta Paroquial aprovará o trabalho e o salário de todo trabalhador assalariado de que a paróquia necessitar.
 

iv. Limitações

Se não houver conflito com as leis do país ou estado, o reitor ou presbítero será o presidente ex officio da Junta Paroquial e presidirá, se estiver presente, todas as suas reuniões. Em sua ausência, o secretário o substituirá; na ausência deste, o tesoureiro presidirá. O presidente (o reitor) votará apenas em caso de empate.

 

 v.  O bispo

A Junta Paroquial elegerá o bispo de sua preferência dentro da CIEE, podendo  escolher aquele com quem sinta mais afinidade. O bispo não terá que abandonar suas responsabilidades paroquiais. Inicialmente, um bispo será designado para a congregação. Depois de um ano, a congregação poderá escolher outro bispo diocesano de sua preferência ou manter o que fora designado ao princípio. Uma vez que seja realizada a mudança de bispo, a congregação não poderá mais fazer nenhuma outra mudança.

 

vi.  O reitor

O reitor é o diretor executivo da congregação, exercendo a liderança como autoridade espiritual na paróquia. Toda autoridade no âmbito da paróquia é conferida por ele ou derivada dele. Em qualquer assunto espiritual, ele tem a última palavra. Ele é o líder em todos os cultos e celebrações litúrgicas. O reitor preside a Junta Paroquial e é membro ex officio de todas as comissões e todos os departamentos da igreja. Esta autoridade é derivada do bispo e do Conselho Diocesano; portanto, ele é responsável perante o Conselho Diocesano e, principalmente, perante o bispo. Quando o bispo é também o reitor, ele é responsável perante o Conselho Provincial de bispos.

 

vii. Consenso

A Junta Paroquial, o Conselho Paroquial e o Conselho do Reitor não funcionam num sentido secular parlamentar ou de negócios, mas procuram conformar-se ao método apostólico de Atos 15; que é o de governar através de consenso. Cada membro compartilha sua opinião e conjuntamente buscam discernir a mente do Espírito Santo e a direção e o desejo de Deus. Quando não há consenso, o reitor pode tomar uma decisão final ou retardar a decisão até uma ocasião mais oportuna. O governo de consenso busca a direção de Deus e a ação do Espírito Santo, em vez de uma decisão política. Isto incentiva uma liderança de serviço, baseada em uma relação pessoal com Jesus Cristo.

 

CÂNON 3. DO GOVERNO DA DIOCESE

O Governo Diocesano - A estrutura de organização de todas as partes da igreja deve ser consistente; por isso, o governo diocesano funciona segundo os mesmos princípios e possui uma estrutura similar à do governo das congregações locais.

A)    O Conselho Diocesano

O Conselho Diocesano é formado por todos os presbíteros da diocese. Em cada diocese, o Conselho se reunirá com regularidade para orar, apoiar-se mutuamente, compartilhar idéias, decidir sobre os assuntos principais da diocese e determinar os rumos da diocese, sob a liderança do bispo. Este Conselho também estará envolvido na revisão de orçamentos, entradas e recomendações, apresentados ao Conselho do Bispo para autorização final. É responsabilidade do bispo diocesano convocar e presidir as reuniões do Conselho Diocesano.


B)  O bispo

O bispo é o pastor principal na Diocese. Todo o clero, as paróquias, os ministérios e os membros da diocese são responsáveis perante o bispo. Cada bispo deve também ser o reitor da paróquia catedral. Na catedral, o bispo servirá como pastor principal e será assistido pelo deão da catedral. Ao determinar que o bispo seja o reitor da catedral, a intenção da CIEE é manter todos os bispos em contato com o povo e no principal lugar de serviço, a paróquia. Uma responsabilidade fundamental de cada bispo é ministrar ao clero sob seus cuidados. O bispo convoca e preside o Conselho Diocesano. Toda a autoridade dentro da diocese é conferida pelo bispo ou derivada dele e, em todos os assuntos diocesanos, o bispo detém a autoridade final. A ordem de diáconos na diocese está ligada diretamente ao bispo e trabalha sob suas ordens nos vários ministérios dentro da diocese. As funções, os deveres, as responsabilidades e a contabilidade do bispo são definidos e governados pelos Cânones da Igreja. Cada bispo é sujeito ao seu próprio Conselho Provincial de Bispos e ao arcebispo de sua província.

C)  O Conselho do Bispo

O Conselho do Bispo é formado pelos líderes da diocese, que atuarão como conselheiros principais do bispo diocesano e terão a autoridade final, juntamente com o bispo, em todos os assuntos financeiros, espirituais e outros na diocese. Os membros do Conselho do Bispo podem ser leigos e clérigos e serão indicados pelo bispo para servir em mandatos de um ano.

 

D)  Equipe Diocesana

O bispo pode empre