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OS 39 ARTIGOS DE RELIGIÃO
ARTIGO
I - DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE
Há um único
Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem
partes nem paixões, de infinito poder,
sabedoria e bondade; Criador e Conservador de
todas as coisas visíveis e invisíveis.
E na unidade desta Divindade há três
Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade:
o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.
ARTIGO
II - DO VERBO OU FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO
HOMEM
O Filho, que é o Verbo
do Pai, gerado ab æterno do Pai, verdadeiro
e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai,
tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem
e da sua substância; de sorte que as duas
inteiras e perfeitas Naturezas, isto é,
divina e humana, se reuniram em uma Pessoa, para
nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo,
verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; que verdadeiramente
padeceu, foi crucificado, morto e sepultado, para
reconciliar seu Pai conosco, e ser vítima
não só pela culpa original, mas
também pelos atuais pecados dos homens.
ARTIGO
III - DA DESCIDA DE CRISTO AO HADES
Assim como Cristo morreu por
nós, e foi sepultado; assim também
deve ser crido que desceu ao Hades.
ARTIGO
IV - DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Cristo verdadeiramente ressurgiu
dos mortos e tomou de novo o seu corpo, com carne,
ossos e tudo o mais pertencente à perfeição
da natureza humana; com o que subiu ao Céu,
e lá está assentado, até
que volte a julgar todos os homens, no derradeiro
dia.
ARTIGO
V - DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo, procedente
do Pai e do Filho, é da mesma substância,
majestade e glória que o Pai e o Filho,
verdadeiro e eterno Deus.
ARTIGO
VI - DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS SAGRADAS
PARA A SALVAÇÃO
A Escritura Sagrada contém
todas as coisas necessárias para a salvação;
de modo que tudo o que nela não se lê,
nem por ela se pode provar, não deve ser
exigido de pessoa alguma seja crido como artigo
de fé ou julgado como requerido ou necessário
para a salvação. Pelo nome de Escritura
Sagrada entendemos os Livros canônicos do
Velho e do Novo Testamentos, de cuja autoridade
jamais houve qualquer dúvida na Igreja
.
Dos nomes e número dos livros canônicos
Gênesis - Êxodo - Levítico
- Números - Deuteronômio - Josué
- Juízes - Rute - I Samuel - II Samuel
- I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas
- Esdras - Neemias - Ester - Jó - Salmos
- Provérbios - Eclesiastes ou Pregador
- Cântico dos Cânticos - Isaías
- Jeremias - Lamentações de Jeremias
- Ezequiel - Daniel - Oséias - Joel - Amós
- Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuque
- Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias.
E os outros Livros (como diz Jerônimo) a
Igreja os lê para exemplo de vida e instrução
de costumes; mas não os aplica para estabelecer
doutrina alguma; tais são os seguintes:
III Esdras - IV Esdras - Tobias - Judite - O restante
dos livros de Ester - Sabedoria - Jesus, filho
de Siraque - Baruque - O Cântico dos Três
Mancebos - A história de Suzana - De Bel
e o dragão - Oração de Manassés
- I Macabeus - II Macabeus.
Recebemos e contamos por canônicos todos
os 27 Livros do Novo Testamento, como são
comumente recebidos.
ARTIGO
VII - DO VELHO TESTAMENTO
O Velho Testamento não
é contrário ao Novo; porquanto em
ambos, tanto o Velho como o Novo, se oferece a
vida eterna ao gênero humano, por Cristo,
que é o único mediador entre Deus
e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. Portanto
não devem ser ouvidos os que pretendem
que os antigos pais só esperaram promessas
transitórias. Ainda que a Lei de Deus,
dada por meio de Moisés, no que respeita
a cerimônia e ritos, não obrigue
os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente
os seus preceitos civis em nenhuma comunidade;
todavia, não há cristão algum
que esteja isento, da obediência aos mandamentos
que se chamam morais.
ARTIGO
VIII - DOS CREDOS
O Credo Niceno e o que ordinariamente
se chama Símbolo dos Apóstolos devem
ser inteiramente recebidos e cridos; porque se
podem provar com autoridade muito certa da Escritura
Sagrada.
ARTIGO
IX - DO PECADO ORIGINAL
O pecado original não
consiste na imitação de Adão
(como vãmente pregado pelos pelagianos);
é, porém, a falta e corrupção
da natureza de todo o homem gerado naturalmente
da semente de Adão; pelas quais o homem
dista muitíssimo da retidão original
e é de sua própria natureza inclinado
ao mal, de sorte que toda a carne sempre cobiça
contra o espírito; e, por isso, toda pessoa
que nasce neste mundo merece a ira e condenação
de Deus. E esta infecção da natureza
ainda permanece também nos que são
regenerados, pela qual o apetite carnal chamado
em grego phrônema sarkós (que uns
interpretam sabedoria, outros sensualidade, outros
afeição e outros desejo carnal),
não sujeito à Lei de Deus e apesar
de que não há condenação
para os que crêem e são batizados,
contudo o apóstolo confessa que a concupiscência
e a luxúria têm em si mesmas a natureza
do pecado.
ARTIGO
X - DO LIVRE ARBÍTRIO
A condição do
homem depois da queda de Adão é
tal que ele não pode converter-se e preparar-se
a si mesmo por sua própria força
natural e boas obras, para a fé e invocação
a Deus. Portanto não temos o poder de fazer
boas agradáveis e aceitáveis a Deus,
sem que a graça de Deus por Cristo nos
previna, para que tenhamos boa vontade, e coopere
conosco enquanto temos essa boa vontade.
ARTIGO
XI - DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM
Somos reputados justos perante
Deus, somente pelo mérito do nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não
por nossos próprios merecimentos e obras.
Portanto, é doutrina mui saudável
e cheia de consolação a de que somos
justificados somente pela fé, como se expõe
mais amplamente na Homilia da Justificação.
ARTIGO
XII - DAS BOAS OBRAS
Ainda que as boas obras, que
são os frutos da fé, e seguem a
justificação, não possam
expiar os nosso pecados, nem suportar a severidade
do juízo de Deus; são, todavia,
agradáveis e aceitáveis a Deus em
Cristo, e brotam necessariamente duma verdadeira
e viva fé; tanto que por elas se pode conhecer
tão evidentemente uma fé viva como
uma árvore se julga pelo fruto.
ARTIGO
XIII - DAS OBRAS ANTES DA JUSTIFICAÇÃO
As obras feitas antes da graça
de Cristo, e da inspiração do seu
Espírito, não são agradáveis
a Deus, porquanto não procedem da fé
em Jesus Cristo; nem fazem os homens dignos de
receber a graça, nem (como dizem os autores
escolásticos) merecem a graça de
congruidade; muito pelo contrário, visto
que elas não são feitas como Deus
quis e ordenou que fossem feitas, não duvidamos
terem elas a natureza do pecado.
ARTIGO
XIV - DAS OBRAS DE SUPERERROGAÇÃO
As obras voluntárias,
que excedem os mandamentos de Deus, e que se chamam
obras de supererrogação, não
se pode ensinar sem arrogância e impiedade;
porque por elas declaram os homens que não
só rendem a Deus tudo a que são
obrigados, mas também a favor dele fazem
mais do que, como rigoroso dever, lhes é
requerido; ainda que Cristo claramente disse:
Quando tiveres feito tudo o que vos está
ordenado dizei: Somos servos inúteis.
ARTIGO
XV - DE CRISTO ÚNICO SEM PECADO
Cristo, na verdade de nossa
natureza foi feito semelhante a nós em
todas as coisas exceto no pecado, do qual foi
totalmente isento, tanto na sua carne como no
seu espírito. Ele veio para ser o Cordeiro
imaculado, que, pelo sacrifício de si mesmo
uma vez oferecido tirasse os pecados do mundo;
e o pecado (como diz S. João) não
estava nele. Porém nós, os demais
homens, posto que batizados, e nascidos de novo
em Cristo, ainda pecamos em muitas coisas; e se
dissermos que não temos pecado, a nós
mesmos nos enganamos, e não há verdade
em nós.
ARTIGO
XVI - DO PECADO DEPOIS DO BATISMO
Nem todo pecado mortal voluntariamente
cometido depois do Batismo é pecado contra
o Espírito Santo, e irremissível.
Pelo que não se deva negar a graça
do arrependimento aos que tiverem caído
em pecado depois do batismo. Depois de termos
recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos
da graça concedida, e cair em pecado, e
pela graça de Deus levantar-nos de novo
e emendar nossas vidas. Devem, portanto, ser condenados
os que dizem que já não podem pecar
mais, enquanto aqui vivem, ou os que negam a oportunidade
de perdão às pessoas verdadeiramente
arrependidas.
ARTIGO
XVII - PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO
A predestinação para a vida é
o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes
de lançados os fundamentos do mundo) tem
constantemente decretado por seu conselho, a nós
oculto, livrar da maldição e condenação
os que elegeu em Cristo dentre o gênero
humano, e conduzi-los por Cristo à salvação
eterna, como vasos feitos para a honra. Por isso
os que se acham dotados de um tão excelente
benefício de Deus, são chamados
segundo o propósito de Deus, por seu Espírito
operando em tempo devido; pela graça obedecem
à vocação; são justificados
gratuitamente; são feitos filhos de Deus
por adoção; são criados conforme
a imagem de seu Unigênito Filho Jesus Cristo;
vivem religiosamente em boas obras, e enfim chegam,
pela misericórdia de Deus, à felicidade
eterna.
Assim como a pia consideração da
predestinação, e da nossa eleição
em Cristo, é cheia de um doce, suave, e
inexplicável conforto para as pessoas devotas,
e os que sentem em si mesmos a operação
do Espírito de Cristo, mortificando as
obras da carne, e seus membros terrenos, e levantando
o seu pensamento às coisas altas e celestiais,
não só porque muito estabelece e
confirma a sua fé na salvação
eterna que hão de gozar por meio de Cristo,
mas porque veemente acende o seu amor para com
Deus; assim para as pessoas curiosas e carnais,
destituídas do Espírito de Cristo,
o ter de contínuo diante dos seus olhos
a sentença da Predestinação
de Deus, é um princípio muitíssimo
perigoso, por onde o Diabo as arrasta ao desespero,
ou a que vivam numa segurança de vida impuríssima,
não menos perigosa que a desesperação.
Além disso, devemos receber as promessas
de Deus de modo que nos são geralmente
propostas nas Escrituras Sagradas; e seguir em
nossas obras a vontade de Deus, que nos é
expressamente declarada na Sua Palavra.
ARTIGO
XVIII - DE OBTER A SALVAÇÃO ETERNA
UNICAMENTE PELO NOME DE CRISTO
Devem ser também tidos
por amaldiçoados os que se atrevem a dizer
que todo o homem será salvo pela lei ou
seita que professa, contanto que seja cuidadoso
em modelar sua vida segundo essa lei e o lume
da natureza. Porque a Escritura Santa somente
nos propõe o nome de Jesus Cristo, como
único meio pelo qual os homens se hão
de salvar.
ARTIGO
XIX - DA IGREJA
A Igreja visível de
Cristo é uma congregação
de fiéis, na qual é pregada a pura
Palavra de Deus, e são devidamente administrados
os sacramentos conforme à Instituição
de Cristo em todas as coisas que necessariamente
se requerem neles.
Assim como a Igreja de Jerusalém, de Alexandria,
e de Antioquia erraram; assim também a
Igreja de Roma errou, não só quanto
às suas práticas, ritos e cerimônias,
mas também em matéria de fé.
ARTIGO
XX - DA AUTORIDADE DA IGREJA
A Igreja tem poder de decretar
ritos ou cerimônias, e autoridade nas controvérsias
da fé, todavia não é lícito
à Igreja ordenar coisa alguma contrária
à Palavra de Deus escrita, nem expor um
lugar da Escritura de modo que repugne a outro.
Portanto, se bem que a Igreja seja testemunha
e guarda da Escritura Sagrada, todavia, assim
como não é lícito decretar
coisa alguma contra ela, também não
se deve obrigar a que seja acreditada coisa alguma,
que nela não se encontra, como necessária
para a salvação.
ARTIGO
XXI - DA AUTORIDADE DOS CONCÍLIOS GERAIS
[O vigésimo primeiro
artigo dos precedentes é omitido porque
é, em parte, dum caráter local e
civil, e é provido, no tocante às
restantes partes dele, em outros artigos].
ARTIGO
XXII - DO PURGATÓRIO
A doutrina romana relativa
ao purgatório, indulgências, veneração
e adoração tanto de imagens como
de relíquias, e também à
invocação dos santos, é uma
coisa fútil e vãmente inventada,
que não se funda em testemunho algum da
Escritura, mas ao contrário repugna à
Palavra de Deus.
ARTIGO
XXIII - DA MINISTRAÇÃO NA IGREJA
A ninguém é
lícito tomar sobre si o cargo de pregar
publicamente, ou administrar os sacramentos na
congregação, antes que seja legalmente
chamado, e enviado a executá-lo. E devemos
julgar por legalmente chamados e enviados aqueles
que tiverem sido escolhidos e chamados para esta
obra pelos homens revestidos publicamente de autoridade,
dada à eles na congregação,
para chamar e enviar ministros à vinha
do Senhor.
ARTIGO
XXIV - DA LÍNGUA VERNÁCULA DO CULTO
Repugna evidentemente a Palavra
de Deus, e ao uso da Igreja primitiva dizer orações
públicas na Igreja, ou administrar os sacramentos
em língua que o povo não entende.
ARTIGO
XXV - DOS SACRAMENTOS
Os sacramentos instituídos
por Cristo não são unicamente designações
ou indícios da profissão dos cristãos,
mas antes testemunhos certos e firmes, e sinais
eficazes da graça, e da boa vontade de
Deus para conosco pelos quais ele opera invisivelmente
em nós, e não só vivifica,
mas também fortalece e confirma a nossa
fé nele.
São dois os sacramentos instituídos
por Cristo nosso Senhor no Evangelho, isto é,
o batismo e a ceia do Senhor.
Os cinco vulgarmente chamados sacramentos, isto
é, confirmação, penitência,
ordens, matrimônio, e extrema unção,
não devem ser contados como sacramentos
do Evangelho, tendo em parte emanado duma viciosa
imitação dos apóstolos, e
sendo em parte estados de vida aprovados nas Escrituras;
não têm, contudo, a mesma natureza
de sacramentos peculiar ao batismo e à
ceia do Senhor, porque não tem sinal algum
visível ou cerimônia instituída
por Deus.
Os sacramentos não foram instituídos
por Cristo para servirem de espetáculo,
ou serem levados em procissão, mas sim
para devidamente os utilizarmos. E só nas
pessoas que dignamente os recebem é que
produzem um saudável efeito ou operação;
mas os que indignamente os recebem adquirem para
si mesmos a condenação, como diz
São Paulo.
ARTIGO
XXVI - DA INDIGNIDADE DOS MINISTROS, A QUAL NÃO
IMPEDE O EFEITO DOS SACRAMENTOS
Ainda que na Igreja visível
os maus sempre estejam misturados com os bons,
e às vezes os maus tenham a principal autoridade
na Administração da Palavra e dos
Sacramentos; todavia, como não o fazem
em seu próprio nome, mas no de Cristo,
e em comissão e por autoridade dele administram,
podemos usar do seu Ministério, tanto em
ouvir a Palavra de Deus, como em receber os Sacramentos.
Nem o efeito da ordenança de Cristo é
tirado pela sua iniqüidade, mas a graça
dos dons de Deus diminui para as pessoas que com
fé e devidamente recebem os sacramentos
que se lhe administram; os quais são eficazes
por causa da instituição e promessa
de Cristo, apesar de serem administrados por homens
maus.
Não obstante, à disciplina da Igreja
pertence que se inquira acerca dos ministros maus,
e que sejam estes acusados por quem tenha conhecimento
de seus crimes; e sendo, enfim, reconhecidos culpados,
sejam depostos mediante justa sentença.
ARTIGO
XXVII - DO BATISMO
O batismo não só
é um sinal de profissão e marca
de diferença, com que se distinguem os
cristãos dos que o não são,
mas também um sinal de regeneração
ou novo nascimento, pelo qual, como por instrumento,
os que recebem o batismo devidamente, são
enxertados na Igreja; as promessas da remissão
dos pecados, e da nossa adoção como
filhos de Deus pelo Espírito Santo, são
visivelmente marcadas e seladas, a fé é
confirmada, e a graça aumentada por virtude
da oração de Deus.
O batismo das crianças deve conservar-se
de qualquer modo na Igreja como sumamente conforme
à instituição de Cristo.
ARTIGO
XXVIII - DA CEIA DO SENHOR
A ceia do Senhor não
só é um sinal de mútuo amor
que os cristãos devem ter uns para com
os outros; mas antes é um sacramento da
nossa redenção pela morte de Cristo,
de sorte que para os que devida e dignamente,
e com fé o recebem, o pão que partimos
é uma participação do Corpo
de Cristo; e de igual modo o cálice de
bênção é uma participação
do Sangue de Cristo.
A transubstanciação (ou mudança
da substância do pão e do vinho)
na ceia do Senhor, não se pode provar pela
Escritura Sagrada; mas antes repugna às
palavras terminantes da Escritura, subverte a
natureza do sacramento, e tem dado ocasião
a muitas superstições. O Corpo de
Cristo é dado, tomado, e comido na ceia,
somente dum modo celeste e espiritual. E o meio
pelo qual o Corpo de Cristo é recebido
e comido na ceia é a fé.
O sacramento da ceia do Senhor não foi
pela ordenança de Cristo reservado, nem
levado em procissão, nem elevado, nem adorado.
ARTIGO
XXIX - DOS ÍMPIOS, QUE NÃO COMEM
O CORPO DE CRISTO NA CEIA DO SENHOR
Os ímpios, e os destituídos
da fé viva, ainda que carnal e visivelmente
comprimam com os dentes (como diz santo Agostinho)
o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo; nem
por isso são de maneira alguma participantes
de Cristo: mas antes, para sua condenação,
comem e bebem o sinal ou sacramento de uma coisa
tão importante.
ARTIGO
XXX - DE AMBAS AS ESPÉCIES
O cálice do Senhor
não se deve negar aos leigos; porque ambas
as partes do sacramento do Senhor, por instituição
e ordem de Cristo, devem ser administradas a todos
os cristãos igualmente.
ARTIGO
XXXI - DA ÚNICA OBLAÇÃO DE
CRISTO CONSUMADA NA CRUZ
A oblação de
Cristo uma só vez consumada é a
perfeita redenção, propiciação,
e satisfação por todos os pecados,
tanto originais como atuais, do mundo inteiro;
e não há nenhuma outra satisfação
pelos pecados, senão esta unicamente. Portanto
os sacrifícios das missas, nos quais vulgarmente
se dizia que o sacerdote oferecia Cristo para
a remissão da pena ou culpa, pelos vivos
ou mortos, são fábulas blasfemas
e enganos perigosos.
ARTIGO
XXXII - DO CASAMENTO DE SACERDOTES
Os bispos, presbíteros
e diáconos não são obrigados,
por preceito algum da lei de Deus, a votar-se
ao estado celibatário, ou abster-se do
matrimônio; portanto é-lhes lícito,
como aos demais cristãos, casar como entenderem,
se julgarem que isso lhes é mais útil
à piedade.
ARTIGO
XXXIII - COMO DEVEMOS EVITAR AS PESSOAS EXCOMUNGADAS
Aquele que por denúncia
pública da Igreja for justamente separado
da unidade da Igreja, e suspenso da comunhão,
deve ser tido por pagão e publicano por
todos os fiéis, até que seja mediante
penitência recebido nas Igreja por um juiz
que tenha autoridade para isso.
ARTIGO
XXXIV - DAS TRADIÇÕES DA IGREJA
Não é necessário
que as tradições e cerimônias
sejam em toda parte as mesmas, ou totalmente semelhantes;
porque em todos os tempos têm sido diversas,
e podem ser alteradas segundo as diversidades
dos países, tempo e costumes dos homens,
contanto que nada se estabeleça contrário
à Palavra de Deus. Todo aquele que por
seu particular juízo, com ânimo voluntário
e deliberado, quebrar manifestamente as tradições
e cerimônias da Igreja, que não são
contrárias à Palavra de Deus, e
se acham estabelecidas e aprovadas pela autoridade
comum, (para que outros temam fazer o mesmo),
deve ser publicamente repreendido, como quem ofende
a ordem comum da Igreja, fere a autoridade do
magistrado, e vulnera as consciência dos
irmãos débeis.
Toda a Igreja particular ou nacional tem autoridade,
para ordenar, mudar e abolir as cerimônias
ou ritos da Igreja, instituídos unicamente
pela autoridade humana, contanto que tudo se faça
para edificação.
ARTIGO
XXXV - DAS HOMILIAS
O Segundo livro das Homilias,
cujos títulos reunimos abaixo deste artigo,
contém doutrina pia, saudável e
necessária para estes tempos, como também
o primeiro livro das Homilias, publicado ao tempo
de Eduardo VI; e portanto julgamos que devem ser
lidas pelos ministros, diligente e distintamente
nas igrejas, para que sejam entendidas pelo povo.
Dos nomes das homilias
1. Do uso correto da Igreja
2. Contra o perigo da idolatria
3. Do reparo e asseio das Igrejas
4. Das boas obras: principalmente jejum
5. Contra a glutonaria e embriaguez
6. Contra o luxo do vestuário
7. Da oração
8. Do lugar e Templo da Oração
9. De como Orações e Sacramentos
se devem ministrar em língua conhecida
10. Da reverente estima à Palavra de Deus
11. Das esmolas
12. Da natividade de Cristo
13. Da Paixão de Cristo
14. Da ressurreição de Cristo
15. Da digna recepção do Sacramento
do Corpo de Cristo
16. Dos dons do Espírito Santo
17. Para os dias de Rogações
18. Do estado do matrimônio
19. Do arrependimento
20. Contra a ociosidade
21. Contra a rebelião
[Este Artigo é recebido
nesta Igreja enquanto declara que os livros das
Homilias são explicações
da doutrina cristã, e se destinam à
instrução na piedade e moralidade.
As referências à constituição
e leis da Inglaterra são, porém,
consideradas implacáveis às circunstâncias
desta Igreja pelo que está suspensa também
a ordem para leitura das referidas Homilias nas
Igrejas, até que se proceda à revisão
que se impõe, para livrá-las tanto
de palavras obsoletas como das referências
de natureza local].
ARTIGO
XXXVI - DA SAGRAÇÃO DE BISPOS E
MINISTROS
O livro da sagração
de Bispos, e ordenação de Presbíteros
e Diáconos, estabelecido pela Convenção
Geral desta Igreja em 1792 contém tudo
quanto é necessário para a referida
sagração e ordenação;
nem há nele coisa alguma que seja por si
mesma supersticiosa e ímpia. E, por conseqüência,
todos aqueles que são sagrados ou ordenados
segundo a referida fórmula, decretamos
que todos eles são reta, canônica
e legalmente ordenados.
ARTIGO
XXXVII - DO PODER DOS MAGISTRADOS CIVIS
O poder do magistrado civil
estende-se a todos os homens, tanto clérigo
como leigos, em todas as coisas temporais; porém
não tem autoridade alguma em coisa puramente
espirituais. E temos por dever de todos os homens
que professam o Evangelho o renderem obediência
respeitosa à autoridade civil, que é
regular e legitimamente constituída.
ARTIGO
XXXVIII - DE QUE NÃO SÃO COMUNS
OS BENS ENTRE CRISTÃOS
As riquezas e bens dos cristãos
não são comuns quanto ao direito,
título e posse, como falsamente apregoam
certos anabatistas. Todos, no entanto, das coisas
que possuem devem dar liberalmente esmola aos
pobres, segundo o seu poder.
ARTIGO
XXXIX - DO JURAMENTO DUM CRISTÃO
Assim como confessamos que
o juramento vão e temerário é
proibido aos cristãos por nosso Senhor
Jesus Cristo, e por Tiago, seu apóstolo,
assim também julgamos que a religião
cristã de nenhum modo proíbe que
uma pessoa jure quando o magistrado o exige em
causa de fé e caridade; contanto que isto
se faça segundo a doutrina do profeta,
em justiça, juízo e verdade.
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